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Liderança: Poder ou Serviço?

Chamada

Todos nós conhecemos histórias de líderes políticos ou empresariais que exploraram aqueles sob seu comando. Abusam do poder, oprimem aqueles que os servem, desprezam seus liderados, são injustos em avaliações e manobram para obter vantagens pessoais, mesmo em detrimento das organizações ou pessoas que lideram. Isso não deveria nos surpreender. Jesus já nos advertiu que no mundo é assim. Em Marcos 10.42, lemos: “Jesus os chamou e disse: ‘Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas’”. A marca de uma liderança cristã é justamente descrita no verso seguinte:

“Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Marcos 10.43-45)

Ainda assim, é muito comum encontrarmos líderes cristãos que têm dificuldade em usar o poder que lhes é delegado, primeiramente por Deus, mas também por outros cristãos, para verdadeiramente servir a comunidade ou organização. Seguindo em nossa reflexão sobre a carta de Paulo aos filipenses, chegamos a um trecho em que Paulo destaca o serviço de dois líderes que servem de modelos a cristãos em qualquer envolvimento ministerial.

O primeiro é o jovem pastor Timóteo (Filipenses 2.19-24). Paulo escreve que pensa em enviar esse líder para saber como anda a igreja em Filipos. No entanto, repare em duas observações fundamentais que descrevem e, na verdade, destacam Timóteo como um líder cristão:

  1. Interesse sincero. Paulo afirma que não tem ninguém como ele, que demonstre uma preocupação verdadeira com o bem-estar dessa igreja. Ele afirma ainda que “todos buscam os seus próprios interesses”. Essa é uma marca muito reveladora em um líder cristão; na verdade, uma marca com dois lados. Por um lado, há uma preocupação não fingida, não artificial, nem sequer em decorrência de sua posição. Deus coloca no coração de um líder cristão uma preocupação com aqueles sob seu cuidado. Por outro lado, há o aspecto de que ele não buscava seus próprios interesses. Realmente, liderança cristã é sempre um ministério sacrificial (veja Marcos 10.45).

Deus coloca no coração de um líder cristão uma preocupação com aqueles sob seu cuidado.

  1. Aprovado. Essa característica parece um tanto óbvia, mas, infelizmente, não é. Timóteo havia sido aprovado ao ser testado. Em 1Timóteo 3.10, o apóstolo Paulo escreve: “Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos”. De modo geral, temos de ser muito cuidadosos quanto a quem colocamos em posição de liderança. Apontar alguém sem antes experimentá-lo tem sido a causa de muitas tragédias ministeriais.

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O segundo homem indicado como modelo é Epafrodito (Filipenses 2.25-30). Não conhecemos muito sobre esse personagem, mas a partir do texto podemos observar algumas características:

  1.  Cooperador e companheiro. A primeira expressão indica esforço conjunto e a segunda um companheiro de exército. Em outras palavras, Epafrodito era alguém que não só fazia parte da equipe, como também apoiava Paulo em seus combates. Ele não era alguém que caminhava sozinho, mas era um homem de equipe. Essa é uma característica importantíssima no ministério. Ministério não deve ser nunca uma atividade solitária.
  2. Sacrifício. Paulo afirma que ele “quase morreu por amor à causa de Cristo”. Em uma época em que o conforto pessoal tem sido uma prioridade para tantos cristãos, atentemos para esse irmão, que arriscou sua vida para cumprir uma tarefa, por amor a Cristo. Certamente uma marca de um líder cristão é a capacidade de se sacrificar pela causa de Cristo. Homens e mulheres que priorizam seu conforto, seu próprio bem-estar, certamente terão dificuldade de atuar como líderes no ministério.

Certamente uma marca de um líder cristão é a capacidade de se sacrificar pela causa de Cristo.

Paulo conclui pedindo que os filipenses honrem homens como esses. A expressão significa “segurar como algo precioso”. Esse é mais um alerta para cada um de nós. Com frequência sabemos de casos em que igrejas ou irmãos desprezam seus líderes ou mesmo se rebelam contra eles. É bem verdade que, em muitos casos, esses líderes são indignos. No entanto, a palavra de Paulo é que, ao encontrarmos homens como Timóteo e Epafrodito, seguremos líderes assim como pessoas preciosas. Minha oração é para que eu e você nos tornemos pessoas assim, e também que, encontrando líderes assim, saibamos cuidar destes!

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 24º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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