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Pão integral ou biscoitinhos?


Suportamos alimento espiritual sólido ou continuamos precisando de papinha de bebê? A Carta aos Hebreus exorta-nos à maturidade plena. Vamos aplicar essa idéia à vida cristã na igreja.

Em relação à vida física, todos sabem que o pão integral é mais saudável que o pão branco ou biscoitos. Enquanto alguém é pequeno e não consegue mastigar ou digerir coisas pesadas, o pão mais leve é o alimento indicado. Mas, conforme vai crescendo, sua dieta deve ir se adaptando e seu corpo precisa de outros nutrientes.

A Bíblia tem uma passagem clássica sobre esse assunto, hoje tão premente em nossas igrejas. Hebreus 5.11-6.2 diz:

A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno”.

Os hebreus não estavam progredindo no conhecimento e na obediência de fé. Ao contrário, estavam até regredindo em sua vida espiritual. Ao invés de se tornarem maduros e adultos, estavam dando para trás e comportando-se como meninos. Toda a sua vida na igreja girava em torno das doutrinas elementares da fé cristã, o que impedia seu desenvolvimento e seu progresso nas coisas de Deus. Conforme Hebreus 5.11, os apóstolos tinham coisas muito mais profundas sobre o Senhor Jesus a compartilhar com eles. E eles deveriam ter sido mais receptivos para assuntos mais complexos e mais difíceis de entender. Mas isso era impossível, uma vez que não eram capazes de assimilar esses conteúdos. O autor teria relevado sua incapacidade e levado em consideração sua fraqueza se eles ainda fossem novos na fé. Mas já eram crentes há tempo e sua imaturidade espiritual era catastrófica. Não tinham evoluído porque se contentavam com leite. É trágico quando um adulto se comporta como criança. É ridículo. De um adulto se espera um comportamento de adulto, diferente de uma criança ou de um bebê.

Bebendo leitinho ou exercitando as faculdades espirituais

Até hoje a situação não mudou consideravelmente. Infelizmente, existem muitas igrejas e muitos cristãos infantis em sua fé, crianças espirituais que não crescem nunca, incapazes de suportar alimento espiritual mais sólido. Não conseguem discernir entre o certo e o errado e assumem uma atitude defensiva quando se defrontam com doutrinas mais profundas das Escrituras.

Permitam que eu cite um exemplo. Talvez vocês fiquem surpresos, mas o que vou mencionar é a mais pura verdade: o culto da igreja não é primordialmente um lugar de evangelização. É o momento de adorar a Deus e de ensinar os crentes. Quanto melhor uma igreja for ensinada na doutrina, melhor será a compreensão individual que os cristãos terão da Palavra da justiça. Por meio da doutrinação e por meio de alimento sólido, os membros da igreja são motivados e equipados a alcançar as pessoas ao seu redor e a falar de Cristo no dia a dia de suas vidas. Mas quando um cristão só recebe leite como alimento espiritual, fica desajeitado na hora de testemunhar de sua fé. É inexperiente e não sabe como compartilhar a Palavra de Cristo, porque jamais ultrapassou os rudimentos da fé (Hb 5.13). Já quem cresceu e ficou adulto pode tomar outros pela mão e conduzi-los a um conhecimento mais aprofundado dos “oráculos” de Deus (Hb 5.14).

Mesmo que a passagem de Hebreus em que baseamos este artigo não esteja falando de evangelização, penso que as reuniões evangelísticas deveriam ser eventos separados do culto – pelas razões já expostas. O melhor argumento em favor dessa convicção é encontrado na Bíblia. Os apóstolos iam às sinagogas, às praças e às casas para evangelizar as pessoas (At 19.8-10). Mas sempre que uma igreja local se formava, eles concentravam todos os seus esforços em ensinar os crentes. E os membros dessas igrejas levavam outros a Cristo (At 2.42; At 11.26; At 18.11; At 20.31).

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Se quisermos que outras pessoas conheçam a Jesus como Salvador precisamos valorizar o ensino das verdades bíblicas à própria igreja e, pessoalmente, deveríamos nos profundar mais e mais na Palavra de Deus. Em muitas igrejas o culto é mal usado. Domingo após domingo esse momento de reunião dos salvos é usado para alcançar os perdidos. A igreja se esforça por ser “amigável aos visitantes”, enquanto seus membros morrem à míngua por falta de alimento sólido. Esse é um erro fatal, pois a longo prazo os resultados são bem menores, pois se evangeliza onde se deveria ensinar e doutrinar. Geralmente as pessoas se convertem através de seus contatos com crentes. Quando estes são bem treinados e firmados na Palavra, podem ser bem mais efetivos em seu testemunho e com seu exemplo de vida.

As estatísticas dizem que há bilhões de pessoas subnutridas no mundo. Trata-se daqueles que têm alimentos suficientes, mas não recebem os nutrientes necessários a uma boa saúde física. Padecem da chamada “fome oculta”. Ficam doentes por comerem alimentos inadequados. Infelizmente, o mesmo se aplica em sentido espiritual: muitos estão fartos – mas mesmo assim falta-lhes o mais importante na vida, eles estão espiritualmente subnutridos. Um cristão renascido, que tem o Espírito Santo habitando em seu coração, também deveria estar apto a preparar sua própria “refeição”, e não depender de outros para lhe fornecerem alimentação. Ele deve ser capaz de orar por conta própria, de estudar a Bíblia pessoalmente e de tirar conclusões pessoais. Isso é maturidade! (Norbert Lieth — Chamada.com.br)

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Norbert Lieth nasceu em 1955 na Alemanha, sendo missionário na América do Sul entre 1978 e 1985. Casado, tem 4 filhas. Hoje faz parte da liderança da Chamada da Meia-Noite em sua sede, na Suíça. O ponto central de seu ministério é a palavra profética, sendo autor de diversos livros e conferencista internacional. Ele estará presente no 22º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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